Revista Junguiana 8

Revista Junguiana 8 – Esgotada

Viver Neste Mundo –  Comentários Sobre o Conceito de Individuação

Carlos Alberto Salles

Foram discutidos os conceitos de “processo de individuação” e de “princípio de individuação” na obra de Jung e na tradição oriental e ocidental. O conceito de “inércia da psique” foi introduzido, juntamente com uma discussão sobre os fatores que se opõem à individuação. Símbolos universais da individuação e representações da individuação na pintura de um analisando foram também apresentados, seguidos de um debate sobre o papel da interação com o meio na individuação e sobre a interação das conquistas interiores à comunidade.

revista junguiana 8Polaridades, Redutivismo e as Cinco Posições Arquetípicas

Carlos A. B. Byington

O autor estuda a epistemologia através da psicologia. Inicia por uma elaboração das polaridades redutivo/prospectivo, pessoal/arquetípico, masculino/feminino, Eu/outro, individual/coletivo, subjetivo/objetivo e projeção/introjeção na obra de Jung e procura demonstrar que o seu tratamento redutivo criou um problema metodológico com sérias deformações apriorísticas na teoria da Psicologia Analítica. Assinala que a abordagem inadequada da polaridade subjetivo/objetivo é de fundamental importância, pois envolveu também a psicanálise e toda a dilosofia da ciência. Chama a atenção para um certo denominador comum nesse redutivismo: os pólos de determinados fenômenos são empregados de forma isolada e ligados a outros pólos e ao todo pela causalidade. Por exemplo, “o inconsciente causa a individuação”. Outra deformação metodológica grave apontada é a extrapolação da moral de um setor na psicologia para todo o campo psicológico, criando o moralismo no método psicológico. Para evitar isso, sugere a adoção d polaridade criativo/defensivo para balizar o campo psicológico normal e patológico em geral e a polaridade construtivo/defensivo para referenciar a função moral da psique. Para evitar estas distorções metodológicas e ir de encontro à busca holística na psicologia atualmente, o autor apresenta uma psicologia centrada nos conceitos de símbolos e função estruturante que denomina Psicologia Simbólica. Seu conceito ampliado de símbolo abrange todos os eventos inclusive as polaridades sujeito/objeto, Eu/Outro e pessoal/arquetípico. Descreve cinco posições arquetípicas que regem o processo de elaboração simbólica e a relação Eu/Outro no funcionamento da consciência. São as posições indiferenciada, insular, polarizada, dialética e contemplativa. Para terminar, o autor associa os distúrbios metodológicos citados com essas posições e chama especial atenção para a relação da posição dialética com o paradigma buscado pela filosofia da ciência para enfocar holisticamente a realidade.

 

O Simbolismo do Transplante Cardíaco

Liliana Liviano Wahba

Sendo a doença e sofrimento manifestações psicofísicas e assim passíveis de compreensão simbólica, faz-se a amplificação da cirurgia e transplante cardíaco através do modelo de iniciação que envolvem morte e renascimento. Estes mitos e rituais imprimem na consciência o desenrolar da travessia pelas escuridão da dor e da mutilação sem apagar a chama transformadora, no caso, agindo desde um centro vital, o coração.

 

O Arquétipo do Mestre-Aprendiz – COnsiderações Sobre a Vivência

Laura Villares de Freitas

A partir de sua experiência como professora e como aluna, a autora tece reflexões sobre o campo de interação constelado pelo arquétipo do mestre-aprendiz. O “Teatro Arquetípico”, ou “Mitodrama”, é apresentado tal como é formulado por sua autora, tal como tem sido realizado numa disciplina do curso de graduação em Psicologia, e tal como pode ser enriquecido em alguns aspectos por contribuições de Erich Neumann sobre a fase do self corporal e de Juana Elbein dos Santos sobre o sistema Nagô. O artigo faz ainda algumas considerações sobre as relações e diferenças entre a psicoterapia e a pedagogia, e termina por ressaltar a importância da palavra que “rasga a fantasia”, permitindo o fluir da elaboração simbólica embasada no vivido.

 

O Inconsciente em Jung e em Lévi-Strauss

Alberto Sanchez Paredes

Existe uma separação crescente entre a Antropologia Social e a Psicologia Analítica. Uma das razões principais de tal separação, são as opiniões de autores proeminentes da Antropologia Social, tais como as de Claude Lévi-Strauss, contrárias aos conceitos de arquétipo e de inconsciente coletivo formulados por Jung. Este ensaio mostra como as opiniões de Lévi-Strauss a respeito da teoria junguiana são inconscientes e contraditórias e se baseiam em leituras parciais ou mal efetuadas da obra de Jung. O objetivo do artigo é o de estabelecer uma ponte sobre o abismo que separa os seguidores de ambos autores nos campos respectivos da Psicologia Analítica e da Antropologia Social.

 

Eros ou Animação? – Re-Imaginando a Anima

Peter Mudd

Transcrição completa do roteiro de conferência pronunciada em São Paulo, em maio de 1989.

 

Psicoterapia e Alquimia – Coniunctio

Edward Edinger

Reproduzido com permissão de “Quadrant-Journal” of the C.G.Jung foundation for Analytical Psychology.

 

Psicopatias Menores

Pedro Ratis e Silva

Outro exercício de Psicopatologia Simbólica, tendo desta vez por objeto o tema das psicopatias. O autor aborda o tema, após posicionar-se criticamente em relação ao discurso científico oficial, delimitando-o através de um enfoque não dos comportamentos abertamente psicopáticos e sim daqueles que, de tão próximos da assim chamada fronteira da normalidade, com esta se confundem. Concentrando ainda mais o foco, passa a observá-los mais especificamente naquilo que de psicopático pode estar informando o comportamento do próprio terapeuta. Para fazer estas observações, a técnica proposta é a de um mergulho vivencial dentro do tema, através da própria realização (e leitura) do texto. Assim, os textos apresentados são comentários sobre psicopatias menores para serem lidos com um toque psicopático, de modo a estimular o leitor a não apenas entender mas também a procurar descobrir e elaborar os vieses de sua própria psique.