Revista Junguiana 3

Revista Junguiana 3

“Amadeus” – A Psicologia da Inveja e sua Função no Processo Criativo: Estudo de Psicologia Simbólica.

Carlos A. B. Byington.

revista junguiana 3O autor analisa a peça de teatro “Amadeus” e estuda a função da inveja na relação de Mozart e Salieri. Caracteriza a inveja como uma função estruturante normal da maior importância no desenvolvimento da Consciência. Chama a atenção para a dificuldade de se compreender este fato devido às nossas concepções psicológicas se acharem ainda dominadas pela obra repressora-puritanista da Inquisição. Afirma que na apresentação da peça a patologia mental de Mozart é ainda maior que a de Salieri. Relaciona a inveja patológica de Mozart com um complexo paterno negativo e a de Salieri com a prostituição de sua Anima. Explica a deterioração progressiva das personalidades de Mozart e Salieri: ao não assumirem sua inveja normal, esta se tornou cada vez mais sombria e patológica, ultrapassando o dinamismo neurótico e atingindo o psicótico. Descreve a função estrutural normal do ciúme para melhor discriminar a inveja e exemplificar o ciúme patológico com a peça Otelo de Shakespeare. Finalmente, diferencia a função estruturante normal do ciúme e da inveja nos ciclos arquetípicos matriarcal, patriarcal, de alteridade e cósmico.

 

Enxaqueca: Dedionisios a Freud

Ernest Hawkins

Trabalho traduzido do original “On Migraine: From Dionysus to Freud” publicado em Dragonfiles, Spring 1979, p. 46-69, com a permissão do editor Robert Kugelmann.

 

Não Nascer: Alguns Traços da Imagem Arquétipa do Aborto

Roberto Gambini

Neste artigo o aborto é encarado não como fenômeno físico, mas como a interrupção de um processo de germinação de conteúdos psíquicos ainda não integrados à consci6encia. Esse processo é expresso por imagens arquetípicas, dentre as quais são aqui examinadas a abertura precoce do ovo, do forno e do vaso alquímico (ou a inadequação deste0. A amplificação dessas imagens é correlacionada pelo autor a momentos críticos da experiência psicoterapêutica.

 

Psicoterapia e Alquimia: Solutio

Edward Edinger

Reproduzido com permissão de Quadrant – Journal of the C.G.Jung Foundation for Analytical Psychology – vol. 11. New York. Winter 1978, no 02.

 

Espírito e Imaginação na Criação Literária

Pedro Ratis e Silva

O artigo inicia revendo as idéias e contribuições de C.G.Jung ao debate sobre a validade da análise da obra de arte. Segundo estas, o objeto legítimo de estudo psicológico seria o processo de criação e não a obra de arte em si ou o artista. A partir disto, o autor faz uma tentativa de penetrar o ato de criação literária, com Logos presidindo o processo criativo em prosa, e Eros a poesia. Distinção entre experiência artística e experiência estética. Depoimento de vivências do autor, incluindo um trecho de uma imaginação ativa mobilizada em sua análise pessoal, com uma “transposição imaginal” de uma cena do Fausto II, de Goethe.

 

O Conceito de Self Terapêutico e a Interação da Transferência Defensiva e da Transferência Criativa no Quatérnio Transferencial

Carlos A. Byington

O autor diferencia a noção de transferência na obra de Jung e de Freud, essencialmente, através da predominância da criatividade dos processos inconscientes descritos por Jung e das características defensivas enfatizadas por Freud. O autor não dá preferência nem a uma nem a outra ênfase e procura demonstrar a existência das duas e sua complementariedade funcional dentro do seu conceito de Self Terapêutico. Descreve então a estrutura transferencial quaternária do Self Terapêutico obrigatoriamente formada pela interação das quatro forças, defensivas e criativas, duas da personalidade do analista e duas do analisando. Apresenta a seguir a noção essencial do trabalho, qual seja, a de que a predominância da Transferência Defensiva ou Criativa em qualquer momento particular do processo terapêutico não é determinado necessariamente por nenhuma das quatro forças transferenciais e sim pela resultante das quatro forças operativas no Quaternio Transferencial naquele momento. Exemplifica mostrando como forças transferenciais criativas podem ter resultantes defensivas. Finalmente, e, a luz desta conceituação, o autor aborda o problema da técnica psicoterápica buscando demonstrar a falácia metodológica da busca da neutralidade do analista. Postula a espontaneidade como a atitude mais propicia à busca da identificação e discriminação das quatro forças operativas no Quaternio Transferencial pela cooperação criativa do analista e do analisando. Identifica a Consciência de Alteridade como aquela capaz de discriminar o Quaternio Transferencial. Chama a atenção sobre a utilidade do emprego das técnicas expressivas para se obter esta discriminação e recomenda que a formação de terapeutas inclua a vivência de técnicas expressivas durante sua análise didática.