Reflexões de uma Psicóloga Sobre a Pandemia

Reflexões de uma Psicóloga Sobre a Pandemia

reflexões de uma psicóloga sobre a pandemia

Como Psicologa Clínica Junguiana e a partir dos relatos que tenho tido em minha clínica, elaborei, nos últimos dias, aspectos iniciais de uma reflexão que compartilho aqui, a respeito do que estamos vivendo:

“Pandêmico: mundial.

Vírus: agentes infecciosos diminutos
Contágio. Proteção. Reclusão.

Em tempos de quarentena nos perguntamos: “Como cuidar de nosso psicológico?”

Tédio: sensação de algo lento, prolongado demais. Cansaço. Aborrecimento.

Temos tido também: medo, saudades, raiva, sensação de impotência, desespero, ansiedade, luto, intimidade invadida, solidão.

A tristeza nos envolve todos os dias lembrando que muitos de nós, menos favorecidos, estão vivendo maior risco de saúde e a concretude mais dura das perdas: financeira, da dignidade, da esperança.

2020 está sendo um ano muito, muito diferente do que esperávamos.

Normalmente, costumamos direcionar nossas expectativas e planejamentos e trabalhar nossas condições psicológicas a partir do que conhecemos. Mas, no momento, temos que nos re programar para elaborar a partir do que temos: muito menos informações e certezas e a necessidade de, como se tornou comum dizer, “viver o hoje”.

Bem, isso não é tão simples assim quando estamos imersos em uma situação de crise longa – ou seja, precisamos ter resiliência, mas o aspecto agudo que envolve toda crise está lá : ameaça crise de saúde pública crise econômica, e no Brasil, infelizmente, social e política também.

Estão constelados, em uma linguagem da Psicologia Analítica de C.G Jung, os símbolos da Sombra, Morte e Transfomação.

O que a Psicologia Analítica nos ensina é que o ser humano tem recursos. Por mais difícil que seja a passagem, mesmo que envolva perdas, mortes e a consequente transformação psicológica, há um caminho.

Os mitos gregos e os heróis em suas jornadas nos inspiram nesse sentido. O herói em sua jornada, como pesquisou Joseph Campbell tem sempre um ponto de partida, um momento de crise e transformação e um retorno – transformado e com a tarefa de transformar a comunidade com seus aprendizados.

Cabe a nós, ainda no casulo, ainda no meio da jornada nos questionar: o que posso / quero / preciso mudar em mim e na minha comunidade? Para que devo clamar por coragem heróica para enfrentar? Como conectar e confiar em uma força interna, uma inspiração com a qual pouco me conecto quando estou distanciado e distraído pela rotina como antes?

Certamente, buscar essas respostas nos caminhos funcionantes no antigo dia a dia não parece um caminho possível.

Mas, como nas jornadas heroicas, podemos sim nos conectar com o que C.G Jung chamou de Si Mesmo, Self , ou arquétipo da totalidade que , sim temos acesso simbolicamente.

Cada um deve encontrar essa reconexão ao seu modo, mesmo que novo e aí sim atravessar essa longa e difícil passagem trazendo novidades para o futuro.

A responsabilidade hoje é sobreviver e ressignificar. Amanhã será, como com os heróis, transformar nosso psíquico e nossas comunidades, a partir dos novos símbolos.

Coragem, amor e saúde para todos!

Luciana Puglisi
Psicologa Clínica Junguiana
CRP 06/38473-0
lupuglisi0@gmail.com