Revista Junguiana 4

Revista Junguiana 4

A Identidade Pós-Patriarcal do Homem e da Mulher e a Estruturação Quaternárias do Padrão de Alteridade da Consciência Pelos Arquétipos da Anima e do Animus

Carlos A. B. Byington.

revista junguianaO autor situa a busca da identidade pós-patriarcal do homem e da mulher como um fenômeno individual e cultural do padrão arquetípico de alteridade, coordenado pelos Arquétipos da Anima e do Animus. Para tanto, acha necessário a introdução do conceito de bipolaridade nesses arquétipos e da noção de que a polaridade Eu-Outro ocupa o centro da Consciência, condição essencial para se atingir o funcionamento quaternário da Consciência de alteridade que requer o sacrifício do narcisismo dos dinamismos parentais nos quais o Ego ocupa o centro da Consciência. O autor responsabiliza condições históricas pelo atraso na implantação da alteridade, principalmente o papel da Inquisição na dissociação do Self Cultural do Ocidente no século dezoito. Enfatiza a importância da bipolaridade do corpo simbólico na medicina e na cultura. Descreve a fase homoafetiva precedendo a fase heteroafetiva na vivência bipolar da Anima na adolescência e afirma que se a Anima e o Animus são bipolares, relações homoafetivas podem também representar símbolos da Anima e do Animus em homens e mulheres heterossexuais. Aponta para o redutivismo defensivo desta vivência à homossexualidade até mesmo por homossexuais. Exemplifica sua hipótese pelas relações Freud-Fliess, Jung-Wilhelm e, no plano mítico, pela relação Enkidu-Gilgamesh. Conclui pela necessidade da compreensão desta busca de identidade pós-patriarcal do homem e da mulher, dentro de todos os movimentos igualitários modernos e da interação dialética das polaridades em geral, como expressão do todo psicológico individual e cultural na Consciência de alteridade.

 

Propostas e Problemas de uma Pedagogia Pós-Patriarcal (A Estrutura Simbólica do Método Paulo Freire)

Pedro Ratis e Silva

O presente trabalho discute os problemas que uma pedagogia pós-patriarcal tem de enfrentar e os perigos a que se vê exposta. As questões levantadas são referenciadas a vivências pessoais e a uma apreciação da estrutura simbólica do método Paulo Freire.

 

Simbolicidade e Temporalidade

Mario E. Saiz Laureiro

O autor desenvolve o conceito de que a função estruturante do símbolo implica o problema do tempo. A partir da Antropologia Filosófica analisa-se o contexto histórico da temporalidade, o qual estrutura o horizonte psicológico de nossa experiência vivida do tempo. Analisa-se o problema central de tempo, a articulação significativa dos diferentes modos da temporalidade. O Passado, o Presente e o Futuro são descritos desde a perspectiva fenomenológica e analisados primordialmente a partir da Psicologia Analítica. O autor mostra como na análise dos símbolos oníricos a dialética do temporal torna-se manifesta e significativa através da função estruturante dos símbolos. A análise dos sonhos nos desvela a articulação da SIMBOLICIDADE e da TEMPORALIDADE. Finalmente o autor descreve o tempo simbólico como a resultante constitutiva dos tempos do processo de individuação, caracterizados pelos tempos correspondentes a cada ciclo arquetípico: ciclo matriarcal, patriarcal, de alteridade e cósmico desenvolvidos por Carlos Byington, mostrando ao mesmo tempo suas implicâncias simbólicas e mitológicas.

 

Psicoterapia e Alquimia – Coagulatio

Edward Edinger

Reproduzido com permissão de Quadrant – Journal of the C.G.Jung Foundation for Analytical Psychology – Vol. II. New York, NY. Winter 1978, no 02.

 

O Masculino e o Feminino na Interação Homem-Mulher

Nairo de Souza Vargas

O autor diferencia Masculino e Feminino, enquanto princípios, da polaridade Homem-Mulher. Associa esses princípios ao Yang-Yin da Filosofia Oriental. Descreve a importância deles na busca da Identidade Profunda do homem e da mulher, considerando várias relações humanas entre eles. Discute especificamente o Casamento, analisando nele o fenômeno da Paixão, criativo e defensivo, como também o Amor entre um homem e uma mulher. Cita suas vivências clínicas, ilustrando com material de consultório, onde aparecem os conflitos, também criativos e defensivos. Analisa, como um todo o importante papel da mulher (mãe, irmã, esposa, filha) no processo de individuação do homem e vice versa.

 

Excalibur

Ana Lia B.Aufranc

Neste artigo são feitas algumas interpretações dos símbolos presentes na lenda do Rei Arthur. Toma-se como referência a versão cinematográfica “Excalibur” de John Boorman. A visão básica que guia a interpretação é a de que a lenda do Rei Arthur, descreve um processo de individuação, a instalação da dissociação neurótica, a identificação do ego com o arquétipo do pai, a repressão da anima e finalmente a resolução da neurose.