Revista Junguiana 28/1

Revista Junguiana 28 – Paixões




revista junguiana 28Quando o Amor Não Poe Existir, Tampouco Inexistir

Celso M. Cruz Lima

Este artigo relata e comenta algumas ideias de Nathan Schwartz-Salant em sua obra de 1998: O mistério do relacionamento humano. O livro tenta demonstrar que essas ideias desenvolvem posteriormente o ponto de vista  de Jung  sobre como o opus alquímico pode representar um modo alternativo para lidar com os lados ameaçadores da experiência amorosa e da união ao trabalhar em sua transformação com a repetição de sequências de uniões, mortes e renascimentos. Essa transformação implica um sacrifício do ego, que desiste de suas defesas para dar lugar à totalidade do si mesmo.

 

A Paixão e seus Propósitos

Maria Zélia de Alvarenga

O artigo estabelece uma correlação entre os aspectos neurofisiológicos do estado de apaixonamento e a condição de propósitos simbólicos, denominados pela  autora propósito biológico, relacional e espiritual. Apresenta o processo de individuação como a busca de conhecimento de si mesmo, e o estado de “saudade” como a demanda subjetiva de encontrar-se com uma instância do próprio ser em busca da totalidade.

 

O Outro Lado da Paixão

Roberto Rosas Fernandes

Este artigo desenvolve o tema das fixações narcísicas tão frequentes nos estados de apaixonamento, especialmente nas relações fusionais.  Procura aproximar algumas ideias de Carl Jung, o pai da psicologia analítica, com as de Heinz Kohut, fundador da psicologia do Self. Existem pontos de convergência entre as duas teorias que, quando bem ajustados, podem oferecer ao analista uma compreensão clínica mais abrangente dos estados de sofrimento que caracterizam as paixões nas quais existe indiferenciação acentuada entre o eu e o outro.

 

A Paixão na Adolescência um Rito de Iniciação

Eloisa M D. Penna

Felícia Rodrigues  R. S. Araújo

O artigo aborda o símbolo da paixão na adolescência. A paixão, nessa etapa do processo de individuação, tem a função de rito de iniciação e  passagem para a maturidade e para um padrão de relacionamento de alteridade. A “des-ilusão” em virtude do recolhimento das projeções é uma etapa crucial desse rito de passagem. A impossibilidade de superar essa fase interrompe o ritual de iniciação impede a passagem. O artigo considera ainda o contexto cultural em que os jovens estão inseridos e as especificidades dessa questão na atualidade.

 

A Paixão e a Sombra: Uma Contribuição da Psicologia Simbólica Junguiana

Carlos Amadeu Botelho Byington

Ilustrado o artigo com o famoso filme Anjo Azul, o autor conceitua a paixão como a primeira fase do amor expressa pelos arquétipos da anima, do animus, da alteridade e do herói, constelados pela primeira vez na adolescência. Assinala sua reativação na segunda adolescência, em plena maturidade, para diferenciar e desenvolver as características únicas do processo de individuação na segunda metade da vida.

 

A seguir, o autor afirma que, por buscarem a totalidade psíquica, esses quatro arquétipos ativam inclusive o arquétipo da sombra, que ou é confrontada e resgatada, ou domina defensivamente a personalidade, levando a condutas inadequadas ou até mesmo sadomasoquismo e trágicas. Subjacente a esses arquétipos, está o arquétipo central, que também é sempre ativado.

 

O Arquétipo da totalidade pode ainda ser constelado durante a paixão.

 

Paixão: Esse Nosso Pecado de Cada Dia

Claudia Morelli Gadotti

O trabalho descreve inicialmente as diferentes perspectivas pelas quais o amor, o erotismo e a paixão são vividos e compreendidos na experiência coletiva. Com base no mito de Eros e Psiquê, a autora desenvolve a ideia da transgressão da experiência erótica como fundamento na formação da psique e de nossa capacidade simbólica. Ao contrário do que é difundido nas sociedades contemporâneas, determina a importância da vivência de Eros vinculada à psique para que a relação com o outro de fato se consolide, apesar das ambiguidades e vicissitudes inerentes aos relacionamentos. Como ilustração a esse mergulho em nossas entranhas para o qual amor nos convida, a autora nos remete ao romance A paixão segundo G. H., de Clarice Lispector.

 

Lua de Fel – Loucura na Paixão

Luiz Paulo Grinberg

O autor analisa o filme Lua de fel, de Polansky, à luz da psicanálise e da psicologia analítica, enfocando a dupla de casais protagonistas como um sistema psicológico em interação. No enredo, de final trágico, ocorre uma transformação de ambos os pares, com a morte concreta de um – culminando com a impossibilidade de se diferenciar, e com a impossibilidade de se diferenciar,  e com a morte simbólica de outro – e a possibilidade de transcender um relacionamento neurótico e aparentemente normal.




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