Revista Junguiana 28/2

Revista Junguiana 28 – Paixões




revista junguiana 28Paixão na Filosofia

Tessa Moura Lacerda

O objetivo deste artigo é descrever brevemente como o conceito de paixão foi explicado ao longo da história da filosofia. Há basicamente duas atitudes filosóficas possíveis: uma que sugere a repressão das paixões pela razão; outra que encara a paixão como natural e, por isso, possível auxiliar da razão.

 

Paixões Míticas

Maria Zélia de Alvarenga

O texto apresenta a mitologia grega como um acervo de relatos de afetos, paixões, encontros e desencontros amorosos entre deuses e deusas, heróis e heroínas, homens e mulheres e como expressões de fonte de sabedoria e ensinamento, pelo fato de comporem momentos míticos tradutores de encontros amorosos se dão sob expressões hierofâncias variadas, em encontros hetero ou homossexuais, com diferentes funções e propósitos: fertilidade, amizade, criação, defesa de ideias e valores, instrução etc.

 

Jung e Paixão Pela Interlocução

Laura Villares de Freitas

Este trabalho toma a paixão no sentido de uma motivação que perpassa toda uma vida, imprimindo-lhe uma marca distintiva, e propõe a incessante, inquieta e inquietante busca de interlocução presente na vida, na obra e atitude de C. G. Jung como sua paixão essencial. Para isso, foram selecionados alguns aspectos que explicam tal busca em sua vida pessoal, na atividade psiquiátrica e como pesquisador, na relação com Richard Wilhem, na construção teórica de uma abordagem psicológica, bem como nos grupos de que participou e na relação terapêutica.

 

Imagem da Saudade

Victor Palomo

O presente artigo tem como objetivo descrever as imagens da saudade em alguns autores das poesias portuguesa e brasileira, apontando diferentes sentidos para o termo considerado específico  da língua portuguesa. O autor articula as imagens com o conceito junguiano de função transcendente, propondo entender a saudade como um “pensamento do coração”.

 

Futebol: A Grande Paixão do Povo Brasileiro

Carlos Amadeu Botelho Byington

Baseado na Psicologia Simbólica Junguiana, o autor interpreta o futebol como um poderoso sistema simbólico de alto valor pedagógico para estruturar a consciência individual e coletiva com Arquétipo da Democracia.

 

Essa capacidade estruturante do futebol constituiu um ritual coletivo de custo irrisório, capaz de elaborar coletivamente a agressividade, a competição, a ambição da vitória e, ao mesmo tempo, coordenar a função ética, para absorver a frustação da derrota dentro da união amorosa de cada time.

 

Segundo o autor, é a intenção dessas emoções, expressando exuberantemente o Arquétipo Matriarcal, subordinado às regras do Arquétipo Patriarcal, que permite a vivência apaixonante dos Arquétipos da Alteridade e da Totalidade.

 

Para concluir, o autor assevera que, diante do equilíbrio cultural que afeta nossa sobrevivência planetária, o crescimento do futebol em todos os continentes afirma sua raiz arquetípica num mito messiânico e se revela um exemplo de alteridade e de esperança.

 

O Amor e a Paixão Entre Pessoas do Mesmo Sexo

Adailson Moreira

O grande tema do Ocidente é o amor e a paixão. O presente artigo tem por objetivo analisar esse sentimento cultivado por homossexuais, partindo do pressuposto de que a afetividade é uma característica humana e independe de sua orientação sexual. O amor (deus Eros) é uma força cosmogônica da natureza propiciadora da individuação, que exige a relação com o outro para que aconteça, não havendo distinção entre o processo homossexual e o heterossexual. A aceitação da orientação sexual contribui para que o indivíduo se sinta pleno e integrado, sendo a homossexualidade uma forma de coniunctio. O grande desafio da homossexualidade para a individuação e o crescimento psicológico consiste em tornar o indivíduo consciente dos significado particular de sua sexualidade, já que a paixão é sempre a expressão de uma busca que se traduz em transformação.

 

Perversões. Taras e Outras Observações Amorosas

Gustavo Barcellos

As diversas perversões a que está sujeito o eterno enlace de Eros e Psiquê falam mais da alma imaginativa que do amor depravado. É nesse amor, às vezes tão próximo da violência quanto da delicadeza, que verificamos os extremos da capacidade imaginativa da alma erotizada. Esse amor encontra nas parfilias seu desafio maior à alma. Mas o que quer a psique quando toma um caminho luxuriante? A rota desviante ilumina aquilo que a psicologia chama de normal. Sadismo, masoquismo, exibicionismo, fetichismo, frottage, pedofilia. Voyeurismo, incesto, coprofagia, urofagia, zoofilia, necroflia, felação e cunilíngua são algumas de suas modalidades mais conhecidas e mostram paixões que estão no limite do humano, lá onde o próprio amor está no limite do horror. Este artigo procura abordar essas práticas do ponto de vista de sua imaginação.

 

A Holy Longing*: Sacrifice, Suicide, And The Soul’s Passion For “Death”

Matthew Van Lokeren

O artigo o suicídio e o sacrifício como formas de vislumbrar a paixão da alma pela morte e seu relacionamento com esta. É apresentado com base na recente experiência do autor com o suicídio de um membro de sua família e sugere as possibilidades de uma renovação cultural por meio de um melhor conhecimento dessa paixão, inerente a uma vida em individuação.

 

Transtornos Específicos do Desenvolvimento

Iraci Galiás

Ceres Araujo

Este artigo discute o diagnostico dos Transtornos Específicos do Desenvolvimento (TEDs). Ressalta sua importância na clínica psicoterápica, bem como sua classificação e suas implicações psicodinâmicas. O trabalho com a família é ressaltado, como maneira de ajudar a restauração da autoimagem do portador de TED, que é danificada.

 

Além do necessário trabalho interdisciplinar do fonoaudiólogo e/ ou  psicopedagogo e do psiquiatra, às vezes, a psicoterapia é fundamental. A restauração de uma auto imagem positiva é fundamental para o processo de individuação desses pacientes, que necessitam deixar o lugar de paciente identificado no sistema familiar.




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