Revista Junguiana 27

Revista Junguiana 27 – Rumos e Conexões




revista junguiana 27

Estresse Pós-Traumático Visão do Psiquiatra

Marcelo Feijó de Mello

O autor faz um relato da evolução dos conceitos de transtorno de estresse pós-traumático e trauma. A partir de achados recentes da neurociência , mostra o estado atual do conhecimento, que pode estar em conexão com a clinica dos pacientes que têm seus quadros desencadeados por situações traumáticas. A partir do descrito, procura dar um significado psicobiológico aos sintomas apresentados.

 

Relações Pais-Filhos as Poderosas Complicações Amorosas

Iraci Galiás

A autora discute a violência intrafamiliar entre pais e filhos como um importante fator desencadeante do TEPT. Discute fatores psicodinâmicos e propõe ainda a inclusão da superproteção como uma forma de violência, com prejuízos da individuação e geradora de outras violências intrafamiliares, de filhos contra pais. Questiona se no histórico da violência intrafamiliar o lado parental protetor estava dissociado, reprimido ou sob a ação de algum outro mecanismo de defesa. Questiona ainda se o fenômeno da superproteção poderá ser reativo a séculos de negligência da criança, por uma culpa cultural que levou à enantiodromia na relação pais-filhos ou professor-aluno. Conclui que a “família amorosa” pode ser bastante perigosa.

 

Os Filhos nas Famílias Reconstituídas

Maria Teresa Cepollina Raduan, Ceres Alves de Araujo

Este trabalho buscou abordar algumas das modificações que aconteceram na instituição do casamento do século XVII até o século XXI e, a partir dessas mudanças, quais são os tipos de famílias que podemos encontrar atualmente e as diversas formas de convívio entre seus elementos. As autoras comentam, além disso, os desdobramentos que podem ocorrer após a ruptura do vínculo conjugal. Contrariamente ao que se pensava até as últimas décadas do século passado, os filhos cujos pais se separaram podem lidar com a situação de forma melhor do que se imaginava, podendo sair, inclusive, fortalecido após a elaboração da mudança no padrão familiar . É também abordada a importância da constelação do arquétipo do herói e do arquétipo da criança para uma elaboração bem-sucedida dos conflitos.

 

Conjugalidade e Senescência – O Casamento Envelhece

Nairo de Souza Vargas

O autor discute o casamento entre pessoas mais velhas, traçando um paralelo entre o processo de individuação, no individuo e no casamento. Discrimina os diferentes tipos de casamento,o de acomodação e o de individuação, bem como seus diferentes aspectos. Discute as vicissitudes de um casamento longo, enfatizando a viuvez, a convivência com filhos adultos, os novos papéis trazidos pelo casamento dos filhos, o se tornar avós, a família reconstituída e as aposentadorias. Nos recasamentos, discute algumas diferenças para o homem e para a mulher. Aborda a vida sexual do casal mais velho em seus diferentes aspectos, bem como os recursos profiláticos e terapêuticos de suas disfunções. Discute os preconceitos relacionados a várias áreas do envelhecer, enfatizando os que envolvem a sexualidade.

 

A Ligação Transdisciplinar Entre Psicologia Analítica e Física

João Bernardes da Rocha Filho

Este ensaio apresenta uma reflexão sobre os pontos de conexão entre a física e a psicologia analítica,com ênfase na utilização comum do conceito energético. Com argumentos oriundos de ambas as áreas, o texto propõe que a energia psíquica constitui um elemento necessário à descrição dos fenômenos analíticos, porém caracterizado por potencialidades distintas daquelas reconhecidas na energia física. A discussão culmina com a apresentação da informação como substrato original tanto da energia física quanto da psíquica , apontando concepções de Jung que concordam com essa proposição.

 

A Questão do Sentido no Mundo do Acaso

Ana Lia B. Aufranc

O artigo enfoca a confluência dos princípios fundamentais que norteiam a física quântica e a psicologia analítica. Destaca a questão de estarmos habituados a lidar com as aplicações práticas decorrentes de ambas as abordagens e a dificuldade de integrarmos suas implicações no que concerne à nossa visão de mundo. Compreende a experiência da sincronicidade como sendo a experiência  humana da interconexão quântica e elabora a questão do sentido envolvida nessa vivencia, a percepção de fazermos parte integrante de uma ordem mais ampla, a vivência paradoxal da unicidade e do cósmico.

 

Jovens na Metrópolepedaços e Trajetos

José Guilherme Cantor Maguinani

Este artigo, cuja base é a comunicação feita numa das mesas-redondas por ocasião das comemorações dos 30 anos da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica,em 2008, propõe-se mostrar a contribuição da antropologia para o entendimento da atual dinâmica dos grandes centros urbanos contemporâneos. Diferentemente das visões que enxergam as metrópoles sob o prisma exclusivo da violência , do caos e da fragmentação, o olhar etnográfico – com seu foco “de perto e de dentro” – identifica regularidades e padrões que permitem aos atores sociais construir arranjos coletivos (e criativos) de uso do espaço e dos equipamentos urbanos. Dois casos, a Expedição São Paulo 450 anos e especialmente a etnografia dos straight edgers, em seus pedaços e trajetos, ilustram os desafios do enfoque antropológico voltado para assentamentos humanos na escala das atuais metrópoles e seu rendimento para a compreensão do comportamento dos atores sociais que aí estabelecem suas estratégias de vida.

 

Elogio de La Sombra Del Alma

Mario E. Saiz

El autor explora el tema de la sombra a partir de la afirmación de Jung de que colocar al hombre ante su sombra significa también mostrar su lado luminoso. El texto transita por cuatro episódios. El primero titulado: “ ; La sombra del alma o el alma en la sombra?” nos muestra, siguiendo a Heráclito y a Giorgio Colli, que la sombra es el hogar donde el ser se oculta. En el segundo episodio, se trata de la transmutación de la sombra en la literatura japonesa, donde Jun `ichiro Tanizaki nos revela que en la estética tradicional japonesa lo esencial está en captar el enigma de la sombra. En el tercer episodio, “La cura de la sombra en los orígenes de la pintura”, transita desde Plínio, Van Goch, y Picasso, donde la sombra nos posibilita recobrar el eros de la imagem, para finalmente detenerse en la pintura de Masaccio que nos muestra el poder del apóstolo Pedro que cura con su sombra (per umbra). En el cuarto episodio, el “Encuentro de la sombra en el tiempo poético del ser”, transcurre desde el Ensayo sobre la ceguera de Saramago hasta el poema de Borges titulado “Elogio de la sombra”, posibilitándonos vivenciar como ese encuentro con la sombra nos devela el caminho hacia el Self y genera la emergência del alma.

 

A Sombra e o Mal Paradoxo do Arquétipo Central

Carlos Amadeu Botelho Byington

Um Estudo da ética pela Psicologia Simbólica Junguiana.

 

A sombra, concebida pela Psicologia Simbólica Junguiana como a sede do mal, é imprescindível para o processo de individuação e de humanização pelo fato de conter, fixados em seu interior, símbolos e funções fundamentais para a vida. Nesse sentido, como na parábola do filho pródigo, os símbolos e funções da sombra merecem ser buscados mais do que os símbolos normais, pois enquanto estes já estão sendo elaborados no caminho da plenitude e do bem, aqueles estão fixados e alienados no caminho do mal. Pelo fato de os símbolos da sombra estarem dissociados devido `a fixação e oferecerem resistência à elaboração, o reconhecimento da importância da sombra e o seu confronto merecem todo o apreço dos que buscam o desenvolvimento da consciência e da ética. Prosseguindo, o autor discorre sobre a dificuldade que Jung teve para inserir o bem e o mal lado a lado dentro da divindade e do Self, por desconhecer, até a década de 1950, que o ego da consciência e o ego da sombra são o produto da elaboração simbólica coordenada pelo Arquétipo Central. O paradoxo ético do Arquétipo Central é que ele busca a totalidade por meio da atuação normal e também da patológica . A explicação do paradoxo é que o Arquétipo Central almeja acima de tudo impulsionar a vida, seja através do bem ou do mal e, ao mesmo tempo em que expressa o mal, propicia o resgate dos símbolos e funções nele contidos por meio da função estruturante da ética.