Revista Junguiana 24

Revista Junguiana 24 – Pensamento Junguiano




revista junguiana 24Homenagem a Ian Baker

Carlos Amadeu Botelho Byingotn

Ian Baker faleceu de infarto no dia 10 de junho, na Inglaterra. Deixou Toni, sua esposa, e três filhos. Ele descendia de uma família católica tradicional na Inglaterra, onde os Baker se estabeleceram no século XIII. Moravam, ele e Toni, numa linda mansão repleta de obras de arte e antiguidades, na pequenina cidade de Stafa, às margens do lago de Zurique.

 

Ian foi um analista muito querido pela comunidade internacional e especialmente pelos colegas da SBPA, que desfrutaram da sua presença e das palestras e workshops que deu no Rio e em São Paulo, nas quatro viagens que fez ao Brasil.

 

De tipologia sentimento-intuição, tinha um estilo muito afetivo na sua extroversão, que, aliado ao seu senso de humor britânico, impregnava seus workshops sobre mitos. Nesses encontros, ele nos proporcionava um conhecimento erudito e refinado, junto com a vivência simbólica, que articulava com grande empatia. No seu lado introvertido, que poucos conheciam, vivia um misticismo cristão enraizado nas tradições mais antigas da Europa e que ele estudava a fundo.

 

Recentemente, em nossa correspondência, Ian manifestou o desejo de vir outra vez ao Brasil. Em seu último e-mail, um mês antes de sua morte, mostrou-se muito contente por ter brotado uma flor-de-lis muito linda no jardim que cultivava e mando ume a foto, que agora partilho com vocês.
Dele ficam a lembrança de sua generosa erudição, que tanto partilhou com a SBPA, e as saudades de um amigo.

 

Papéis de Representabilidade Social na Ética Profissional: Inclusividade, Psicoterapia e a “Proteção”

Carlos Amadeu Botelho Byingotn

Ian Baker faleceu de infarto no dia 10 de junho, na Inglaterra. Deixou Toni, sua esposa, e três filhos. Ele descendia de uma família católica tradicional na Inglaterra, onde os Baker se estabeleceram no século XIII. Moravam, ele e Toni, numa linda mansão repleta de obras de arte e antiguidades, na pequenina cidade de Stafa, às margens do lago de Zurique.

 

Ian foi um analista muito querido pela comunidade internacional e especialmente pelos colegas da SBPA, que desfrutaram da sua presença e das palestras e workshops que deu no Rio e em São Paulo, nas quatro viagens que fez ao Brasil.

 

De tipologia sentimento-intuição, tinha um estilo muito afetivo na sua extroversão, que, aliado ao seu senso de humor britânico, impregnava seus workshops sobre mitos. Nesses encontros, ele nos proporcionava um conhecimento erudito e refinado, junto com a vivência simbólica, que articulava com grande empatia. No seu lado introvertido, que poucos conheciam, vivia um misticismo cristão enraizado nas tradições mais antigas da Europa e que ele estudava a fundo.

 

Recentemente, em nossa correspondência, Ian manifestou o desejo de vir outra vez ao Brasil. Em seu último e-mail, um mês antes de sua morte, mostrou-se muito contente por ter brotado uma flor-de-lis muito linda no jardim que cultivava e mando ume a foto, que agora partilho com vocês. Dele ficam a lembrança de sua generosa erudição, que tanto partilhou com a SBPA, e as saudades de um amigo.

 

Casamento Atual e Famílias Reconstituídas: Dilemas e Peculiaridades

Nairo de Souza Vargas

A partir da visão de ser o casamento um propiciador da individuação, o autor descreve como o casamento está na atualidade e as principais razões que determinaram as grandes transformações pelas quais ele passou. Discute a importante questão das separações e recasamentos e das vicissitudes pelas quais passam cônjuges e filhos nas famílias reconstituídas. Quando existem filhos, aborda nessas famílias reconstituídas a desejável “adoção”, mobilizada inicialmente pelos arquétipos da conjugalidade e portanto sem uma escolha parental. A partir de sua experiência como terapeuta de casais, percebe São Paulo como local de intensa efervescênda conjugal, onde diminuíram os casamentos “de acomodação”.

 

Psique e o Universo

Ana Lia B. Aufranc

Na primeira metade do século XX houve uma revolução tanto no campo da física como no da psicologia, com o desenvolvimento, de um lado, da física quântica e, de outro, dos conceitos de inconsciente coletivo e de arquétipo por meio da psicologia analítica. A partir de campos tão divergentes, os físicos atômicos e os estudiosos da psique caminharam em direção a uma visão de mundo semelhante. Há, desde então, uma nova percepção da relação entre a psique e a matéria, que se traduz em um novo paradigma da ciência, o qual, no entanto, não pôde ainda ser assimilado pela consciência coletiva. É propósito da autora, neste artigo, colaborar com a elaboração desse novo paradigma que se forma a partir da confluência dessas duas visões, bem como com as suas implicações no que tange à relação entre a psique e a matéria. Compreende a matéria não apenas como a base neurofisiológica individual, mas também com relação à dinâmica da matéria no universo. Considera as conseqüências desse novo paradigma para a prática clínica do analista na atualidade, assim como para nossa inserção no mundo.

 

Jung e a Pós-Modernidade

Eloisa M. D. Penna

Este artigo pretende discutir o pensamento de C. G. Jung como um paradigma científico no âmbito da ciência moderna e pós-moderna, com destaque para a epistemologia e o método de produção de conhecimento na psicologia analítica. Para tanto são apresenta¬das as principais características do pensa¬mento pós-moderno, sua influência na concepção atual de ciência e os pontos de aproximação entre a psicologia analítica de C. G. Jung e a ciência pós-moderna. Diante dos desafios e dos riscos que a pós-modernidade apresenta, o artigo propõe uma reflexão sobre dois aspectos do paradigma junguiano que devem ser sublinhados. Primeiramente, o caráter construtivo e integrativo do modelo junguiano baseado na noção de uma totalidade implícita e na busca de compreensão do sentido e do significado; em seguida, é destacada a ética do processo de individuação

 

Eros e o Poder na Relação Adulto-Criança

Carlos Amadeu Botelho Byington

O autor estabelece uma analogia entre a polaridade eras-poder e a polaridade arquétipo matriarcal-arquétipo patriarcal. A partir daí chama a atenção para o desequilíbrio eras e poder que existe na relação adultocriança, a começar pela própria teoria de desenvolvimento psicológico. Descreve a importância do quatérnio primário (pai, mãe, vínculo entre os pais e criança) como a principal fonte estruturante do ego infantil. Argumenta que a ausência do pai e a exclusividade dada à díade mãe-criança na teoria da relação primária traz uma grande distorção para a psicologia do desenvolvimento. Byington argumenta que qualquer símbolo da criança só pode ser corretamente elaborado à luz da interrelação do quatérnio primário, e nunca somente em função das reações da criança. Para terminar, chama a atenção para a elaboração da função sacrificial durante o desenvolvimento da criança e a importância da sua relação com a morte nas reações dos pais.

 

Casamento Atual e Famílias Reconstituídas: Dilemas e Peculiaridades

Nairo de Souza Vargas

A partir da visão de ser o casamento um propiciador da individuação, o autor descreve como o casamento está na atualidade e as principais razões que determinaram as grandes transformações pelas quais ele pas¬sou. Discute a importante questão das sepa¬rações e recasamentos e das vicissitudes pelas quais passam cônjuges e filhos nas fa¬mílias reconstituídas. Quando existem filhos, aborda nessas famílias reconstituídas a dese¬jável “adoção”, mobilizada inicialmente pelos arquétipos da conjugalidade e portanto sem uma escolha parental. A partir de sua expe¬riência como terapeuta de casais, percebe São Paulo como local de intensa efervescên¬da conjugal, onde diminuíram os casamentos “de acomodação”.

 

C.G. Jung, Psicologia e Hermenêutica

Luiz Paulo Grinberg

O autor faz uma revisão das principais etapas de elaboração dos métodos de interpretação desenvolvidos por C. G. ]ung, delineando algumas das premissas epistemológicas de seu pensamento e demarcando o “método junguiano” relativamente a alguns modelos de compreensão e interpretação particularmente, a psicologia compreensiva e a hermenêutica.

 

Plasticidade Neuronal e Recursos Criativos na Reabilitação

Liliana Liviano Wabba

O artigo traz uma revisão do conceito moderno de plasticidade neuronal e cita pesquisas que estão sendo realizadas em neurologia. Apesar de não haver evidências conclusivas laboratoriais a respeito da capacidade de regeneração do cérebro após lesão, há indícios de que ocorre uma reorganização sináptica e que novas células indiferenciadas transformam-se em células neuronais em algumas áreas do cérebro. Essas últimas experiências são laboratoriais. A observação de pacientes hospitalizados e após a hospitalização revela que técnicas de reabilitação que estimulam o aprendizado e que oferecem oportunidade de experimentar novos recursos, particularmente aqueles criativos, como, por exemplo o teatro, trazem melhora ao paciente que sofreu uma lesão cerebral quando acrescidas da reabilitação tradicional. Compreender a psique desses pacientes é fundamental para a neurologia e para a psicologia, a fim de atender às necessidades de reorganização da per¬sonalidade após sua ruptura e a possível inserção social dessas pessoas, freqüentemente isoladas e em estado de vulnerabilidade e dependência.

 

O Conceito de Progresso e Desenvolvimento na Obra de Jung

Vera Lucia Colson Valente

O artigo faz uma rápida reflexão sobre a história da idéia de progresso, evolução e desenvolvimento na modernidade, chamando a atenção para a menor utilização dessas referências hoje pela historiografia. O objetivo deste trabalho é refletir sobre a idéia de desenvolvimento da cultura, encontrada em ]ung, e questionar sua importância como referencial teórico.

 

Mitologia, Tipologia e o Universo de Possibilidade

Maria Zelia de Alvarenga e David Souza Lima

O texto, de início, apresenta a possibilidade de o material psíquico representar possíveis futuros anunciados. A seguir, apresenta uma proposta de estabelecer correlações entre a psique de uma pessoa com as personalidades dos divinos (escolhidos da mítica grega) e, em função dessas correlações, exprimir as funções da consciência, a estrutura anímica, a sombra e uma estrutura denominada “sabedoria profunda do masculino na mulher e sabedoria profunda do feminino no homem” com esses divinos elencados. Essas estruturas de sabedoria profunda representam recurso inestimável e reclamo explícito da psique para que o cumprimento do processo de individuação aconteça.

 

As Raízes do Paradigma Ecológico Junguiano

Ricardo Alvarenga Hirata

O objetivo deste trabalho é iniciar uma análise do símbolo da natureza e do meio ambiente nas obras completas de C. G. ]ung. Procuramos reconhecê-Ia como o pioneiro da psicologia ambiental, ou da ecopsicologia, e mesmo um dos primeiros pensadores ecológicos da modernidade. Sua grande inovação reside no fato de ter ampliado as raízes do vínculo substancial da ciência mecanicista-cartesiana-positivista a um paradigma de vínculo funcional. Desse modo, abarca de forma indissociável, em suas reflexões, a maI téria e a psique, dentro de uma metodologia empírica dos fenõmenos psicológicos. Abor¬damos aqui os estudos relevantes ao tema realizados entre 1896 e 1912.