Revista Junguiana 20

Revista Junguiana 20 – O Corpo – Esgotada

revista junguiana 20Os Sentidos Como Funções Estruturantes da Consciência: Uma Contribuição da Psicologia Simbólica

Carlos Amadeu Botelho Byington

O autor estuda os órgãos dos sentidos como funções estruturantes da consciência individual e coletiva e da sombra individual e coletiva. Considera que as funções fisiológicas percebidas com seus significados simbólicos, formando funções estruturantes da consciência, são um marco importante para ultrapassar a dissociação mente-corpo e conceber a Medicina Simbólica. Comparando o cérebro a um computador, argumenta que as funções fisiológicas são equivalentes aos hardwares e as funções estruturantes , aos softwares. Pretende com isso chamar a atenção para o extraordinário crescimento da consciência e a formação da sombra pela civilização , fato que tem sido pouco considerado pela psiquiatria moderna, devido ao seu justificável, mas lamentável, fascínio pela neuropsicofarmacologia.

 

A seguir, tece considerações resumidas sobre cada órgão dos sentidos percebidos como funções estruturantes e comenta a expressividade da visão pela pintura, do olfato pelos perfume, do paladar pelo vinho, da audição pela música e do tato pela cosmetologia. Considera que, enquanto a cultura aumentou o poder da visão e da audição, o mesmo não ocorreu com o olfato, o paladar e o tato.

 

Finalmente, à guisa de ilustrar o papel da cultura na evolução dos órgãos dos sentidos como funções estruturantes da consciência individual e coletiva, o autor aplica sua teoria arquetípica da história ao desenvolvimento da arte moderna.

 

Una Aproximación Al Cuerpo Simbólico

Vladimir Serrano Pérez

La dualidad cuerpo-mente ha caracterizado la cultura occidental desde sus raíces. Los griegos la vivieron y la transmitieron mediante el helenismo a sus vecinos de Medio Oriente y posteriormente Europa; pero será Descartes el que ajustó de forma definitiva la división psique-soma, dando las pautas que informarán al paradigma mecanisista.

 

Mientras tanto. subterraneamente en el proprio Occidente y con personalidad autónoma en otras civilizaciones, los cuerpos imaginal y energético tenían su propia expresividad y representación. En algumas ramas de la psicología profunda, el cuerpo ha vuelto a tomar carta de naturalización, asumiendo el conocimiento que sobre él han tenido culturas ancestrales.

 

Símbolo e Psicossomática: O Corpo Simbólico

Nairo de Souza Vargas

Baseado no referencial teórico da psicologia analítica de C. G. Jung, o autor tenta mostrar que o conceito de símbolo une mente e corpo. Nossa psique é somática tanto quanto nosso soma é psíquico, sendo ambos símbolos de nossa personalidade. Mostra as ocorrências em nosso se expressando em nossa totalidade e que a expressão “doença psicossomática” não mais se justifica, pois todas as doenças, em diferentes graus, se expressam no corpo, na psique, no social e no ecológico.

 

Espaço Interno e Espaço Externo: Uma Discussão Sobre o Homem e seu Ambiente

Ruth Ammann

Este artigo tem como finalidade chamar a atenção para o fato de que nosso ambiente construído, nossas casas, prédios públicos e jardins espelham nosso corpo e nossa psique, porque, como Winston Churchill disse, “moldamos nosso habitat e nosso habitat nos molda”. Isso significa que há uma interação muito importante entre nosso mundo interno, nossa alma, e o mundo externo, o ambiente feito pelo homem. Tudo que fazemos ou modelamos no mundo externo tem um reflexo na nossa condição física e psíquica. Portanto, devemos aprender a cuidar e a ter responsabilidade não somente pelo mundo interno, mas também, expressivamente, pelo mundo externo.

 

O Corpo Como Expressão de Arquétipos

Marfiza Ramalho Reis

A partir da relação transferencial, a autora procura compreender o encontro entre matéria e psique, baseando-se nos pressupostos da psicologia analítica de que são dois aspectos de uma mesma realidade. A relação sincronística entre o corpo e o universo é mostrada tanto nos conceitos junguianos, nas pesquisas científicas do Ocidente, assim como nas teorias orientais. Considera algumas vivências no corpo físico – tanto as que se apresentam como sintomas quanto as provocadas a partir de técnicas de exercícios corporais – como possíveis manifestações do “corpo arquetípico”. Assim, relaciona a tradicional tripartição do corpo – cabeça, tronco e membros – a representações arquetípicas e à sua predominância no desenvolvimento da personalidade.

 

El Cuerpo Y El Inválido

Axel Capriles M.

El cuerpo ha sido uno de los aspectos del ser humano más incomprendido, maltratado y reprimido por los ideales de la cultura occidental. Como sede de los instintos y recipiente de los fluidos y de las pulsiones más bajas de la escala animal ha estado sujeto a la descalificación. En el siglo XX surge y se consolida una nueva visión estética y otra forma de valorar y experimentar el cuerpo. Con el tiempo, sin embargo, pasamos a la sobre valoración, a la obsesión con las formas firmes de la juventud y a la irracional negación de la enfermedad y la deformidad. Es dificil procesar el doble mensaje de una sociedad que nos seduce con la magia del mínimo esfuerzo para luego obligarnos a consumir frenéticamente la energía previamente economizada. La conciencia del arquetipo del inválido es hoy indispensable. El poder de atracción de un cuerpo bello y bien formado es arquetípico y tiene un significado más allá de si mismo. La obsesión actual por el cuerpo puede ser vista como un símbolo, el intento de hacer reaparecer el cuerpo psíquico, un cuerpo emocional dionisíaco capaz de integrar las deformaciones, los defectos y el deterioro.

 

Psiquiatria e Dermatologia: O Estabelecimento de uma Comunicação

Iraci Galias

Através de um passeio pela psicologia analítica, a autora discute alguns de seus conceitos fundamentais. Busca correlacionar a linguagem simbólica da psicologia analítica com a dermatologia. Propõe, na relação médico-paciente, a compreensão simbólica do paciente dermatológico por meio da linguagem da pele. Discute no sintoma a presença da ênfase dessa linguagem não compreendida.

 

A Lenda do Cavaleiro Verde e a Dissociação Corpo-Cabeça

Maria Zelia de Alvarenga

A autora apresenta leitura simbólica da lenda arturiana do Cavaleiro Verde, correlacionando os presentes ganhos por Gawain à aquisição de competências de personalidade necessárias ao rito de passagem da vida adulta; essa transformação traz sabedoria profunda, traduzida pela sagacidade e poder de escolher.

 

Do Sintoma ao Símbolo: Um Caso de Bulimia

Liliana Liviano Wahba

A partir do relato de um caso clínico, são enunciados princípios da teoria analítica aplicados à psicossomática, tais como transdução e transformação de energia mediante símbolos e sua elaboração. O sintoma representaria um “cair junto” incidental que, ao ser integrado na psique, pode transforma-se num “lançar junto”, ou seja, num símbolo significante dentro do processo de individuação.

 

Diferencia-se também o conceito de adaptação à lesão da remissão de sintomas orgânicos, e em ambos a função transcedente da psique possibilita ao indivíduo enfrentar as adversidades e desenvolver suas potencialidades para promover a busca da cura.

 

A Deficiência de Eros

Marcos Fleury de Oliveira

O autor procura mostrar através de um caso clínico até que ponto nossa própria compreensão clínica do corpo e da psique, com seus recursos e limites, pode revelar-se pobre e dificiente, e como a deficiência pode nos apontar novos, surpreendentes e eficientes recursos. Nesse contexto, a amplificação da deficiência por meio do mito platônico de Eros vem oferecer inúmeras aberturas para a compreensão do processo analítico e da formação da alma.

 

Abordagem Simbólica do Conflito Conjugal: O Corpo em Cena

Vanda Lucia Di Iorio Benedito

Na primeira parte, este trabalho discorre sobres situações psicológicas individuais que originam e mantêm conflitos conjugais, tomando como ponto de partida um recorte de uma sessão com um casal.

 

Uma técnica psicodramática conduz o processo simbólico combinando o uso do corpo com a linguagem imagética do inconsciente, presente nas vivências dos conflitos, formando um campo sistêmico que se auto-regula.

 

Na segunda parte, a autora descreve o procedimento clínico nas sucessivas etapas do processo de elaboração simbólica dos conflitos conjugais, buscando a transformação do vínculo baseada na individuação dos parceiros.

 

O Entardecer do Fauno

Dartiu Xavier da Silveira

O autor aborda o problema da defasagem en tre o desenvolvimento da personalidade e a eclosão do arquétipo da anima/animus, com possíveis repercurssões negativas que podem comprometer o processo de individuação. Alerta para os riscos da realização precoce de potenciais criativos em indivíduos insuficientemente amadurecidos, nos quais a pujança anímica representa uma sobrecarga egóica ameaçadora da integridade do ser.

 

Destaca ainda o perigo do fascínio do ego pelos valores da consciência coletiva como fator de impedimento do processo de centroversão nescesário às transformações da segunda metade da vida.

 

Ética e Processo Analítico

Ana Lia B. Aufranc

A autora aborda e tece considerações acerca da noção de saúde e doença na perspectiva junguiana. Discute a seguir o que seria a cura no processo analítico. Tece elaborações sobre o significado da ética do processo de individuação. Revê a questão da consciência ética individual vis-à-vis com o código moral de determinada cultura. Finaliza refletindo sobre a ética envolvida no processo analítico e na relação paciente-analista.

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