Revista Junguiana 15

Revista Junguiana 15 – Amor, Erotismo, Paixão – Esgotada

revista junguiana 15Desacasamento, Recasamento e Adolescência

Nairo de Souza Vargas

A transformação da paixão em amor, que permite estas vivência, é uma condição básica. Destaca a importância dos reapaixonamentos, dos recasamentos e da adolescência conjugal.

 

Amor e Poder, Paixão e Morte – Mito e Literatura – Leitura Simbólica

Maria Zelia de Alvarenga

A autora discorre sobre as origens históricas e míticas da civilização helênica, e a importância do herói grego como tradutor da transformação dos tempos e da consciência do ser humano. Servindo-se de passagens míticas, faz uma leitura simbólica sobre o momento mítico em que o herói grego, chamado a tomar decisões, se depara com o conflito: cumprir o seu destino-tarefa para o bem do coletivo ou render-se à maldição sob a qual foi gerado. Questões simbólicas como: emergência da consciência, desejo, responsabilidade de escolha, conflitos entre amor e poder, etc… são levantadas. Conclui que dessas tessituras emocionais emerge o homem-ego-consciência que escolhe o seu destino e se torna responsável por ele.

 

O Renascer de Lilith

Sueli Engelhard

Se tivermos em mente que não podemos abandonar em nosso desenvolvimento da personalidade, o lado sombrio, o valor (re)estruturante da representação arquetípica de Lilith – a mulher da primeira vez – ganhamos maiores possibilidades de reequilibrar, na consciência coletiva, o valor do instinto, enquanto sexualidade erótica, sem tabus e repressões. Recuperar o símbolo da liberdade de escolha e emancipação do feminino é poder sacralizar o instinto, reunir em nosso psiquismo o espiritual e o carnal, tornando nossa alma (Pneuma) a mescla de ar e de calor vital. Só aí se qualifica e reintegra o grande segredo da função transcendente e propiciadora da individuação. É adentrando nossos mistérios, e retirando de nossas mais profundas cavernas as substancias vitais ali escondidas, abandonadas, é que podemos nos (re)equilibrar e (re)dimensionar. Amorosamente, iluminado o que era antes opressão e negação, a energia se torna purificada e renovada, harmônica, para ser reintegrada e utilizada na ampliação de níveis mais abrangentes e elevados de consciência. Só assim, embora o mundo continue o mesmo, o que mudará será nossa consciência perante a vida nesse mundo, podendo então, termos a oportunidade de, ao nos salvar, salvarmos, também nosso amado planeta.

 

Dona Labismina – Interpretação de um Conto de Fadas

Leniza Castello Branco

Interpretação de um conto de fadas do folclore brasileiro comparando as peripécias da heroína com o desenvolvimento do ego e sua relação com o inconsciente.

 

Esses Bizarros Objetos Pornográficos

Liliana Liviano Wahba

A instrumentação erótica usada para estimulação sexual vem de longa data sendo empregada em festas orgiásticas como culto a divindade matriarcais. Seu emprego atual, através de objetos pornográficos, visa a uma exaltação do prazer e uma retomada de valores que são contrários às normas morais vigentes. Diferenciar nessas práticas o que é mau gosto, perversão, brincadeira, -faceta do erotismo, traz diversas possibilidade de compreensão.

 

Os Delíriosde Schreber

Amnéris Maroni

Como C.G.Jung chegou à noção de inconsciente coletivo? É exatamente isso que esse artigo discute, ao insistir que Jung não estabeleceu a priori um postulado, uma hipótese. Jung des-cobriu, des-velou uma possibilidade de apreensão do mundo por meio de uma psique generalizada, em sua experiência com pacientes psicóticos e esquizofrênicos. Seu diálogo com Freud, na interpretação dos delírios de Schreber, deixa isso claro.

 

Anorexia Nervosa

Iraci Galiás

A autora reflete sobre a anorexia nervosa buscando uma compreensão do funcionamento arquetípico. Descreve o que chama de “Circuito Matriarcal” e “Circuito Patriarcal” na estruturação da consciência pelos arquétipos da Grande Mãe e do Pai. Descreve o processo, a que denominou “persefonização” da libido, como sendo um distúrbio da estruturação do arquétipo da Grande Mãe e núcleo do distúrbio anorético. Trabalha também com os arquétipos do Pai, Herói e Anima-Animus, com sua constelação e com o tipo de arranjo encontrado entre eles na adolescência, quando se desencadeia o quadro de anorexia. Faz amplificações usando associações com o mito de Deméter-Core-Perséfone, enfatizando o paradoxo em Hades entre comer-viver-morrer como o drama, ou as vezes mesmo, a tragédia anorética. Discute ainda a problemática familiar bem como estratégias terapêuticas.

 

Função Transcedente – Uma Metodologia Para o Estudo Científico da Ética Pela Psicologia Simbólica

Walter José Martins Migliorini

A partir do levantamento completo das intercorrências da expressão função transcendente e do ensaio homônimo escrito em 1916, o autor procede a um exame de sua definição nas Obras Completas, estatuto conceitual e papel na interpretação. Polissemia, imprecisão, circumambulação, metaforização, semelhança estrutural com os símbolos, relação de identidade com a definição de imaginação são os traços formais fundamentais da definição de função transcendente assim obtidos. Não há uma definição propriamente dita, tampouco um conceito. A função transcendente é um símbolo. Examinado estrategicamente a partir da teoria junguiana da imagem, o símbolo “função transcendente” pode ser identificado como uma imagem arquetípica correlata do instinto criativo e elemento central da hermenêutica: o método construtivo é ponto de vista poético, na observação e interpretação da imagem da fantasia, cujos telos “criativo” e “benigno” a função transcendente representa. A indefinição da noção de função transcendente nos escritos de Jung tem origem na negação de seu caráter eminentemente simbólico assim como no imaginismo implícito em sua teoria da imagem.

 

Ética e Psicologia – Uma Metodologia Para o Estudo Científico da Ética Pela Psicologia Simbólica

Carlos Amadeu B. Byington

O autor busca situar a polaridade do Bem e do Mal dentro do desenvolvimento psicológico da Self por intermédio da função estruturante da Ética. Para tanto, adota a perspectiva da elaboração simbólica situada entre a Consciência e o Arquétipo Central. Desta forma, descreve a metodologia do Self e evita a perspectiva unilateral centrada no Ego ou no inconsciente. A partir dos conceitos de símbolo e de função estruturante, ele descreve as funções estruturantes criativas (Consciência) e as funções estruturantes defensivas (Sombra). Descreve a função estruturante avaliadora da elaboração simbólica e define a função estruturante da ética como a reação do Self ao resultado da ação da função avaliadora. Situa a polaridade do Bem e do Mal criativamente elaborada na Consciência e defensivamente na Sombra. A seguir busca demonstrar que a controvérsia de Jung com a Doutrina Católica do Summum Bonum e do Privatio Boni, não tem fundamento pois o próprio Jung e seus seguidores sempre descreveram o Bem como a finalidade do processo de individuação. Na dialética do Bem e do Mal, elabora os três estágios de uma fixação. Em seguida descreve a defesa psicopática e seu bloqueio da função estruturante reflexiva na elaboração simbólica. Para finalizar, o autor descreve sumariamente o funcionamento da função estruturante da Ética nos quatro padrões arquetípicos da Consciência: Matriarcal, Patriarcal, de Alteridade (Anima e Animus), e de Totalidade.