Drogas – Uma leitura junguiana da história e da clínicas das dependências

Drogas – Uma leitura junguiana da história e da clínicas das dependências

drogas-uma-leitura-junguiana-da-historia-da-clinica-e-das-dependencias-1Esse trabalho é em primeiro lugar um mapeamento, no qual estão sobrepostas três áreas do conhecimento que fazem parte da minha trajetória pessoal e profissional: a psiquiatria, a história e a psicologia analítica.

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O consumo de substâncias psicoativas e a dependência química são os pontos de interseção entre essas. Há quase quinze anos venho trabalhando com ambos os assuntos dentro de minha formação como psiquiatra e pesquisador. O interesse pela história das drogas surgiu pouco depois, mas a afinidade por essa disciplina remonta aos tempos da escola primária. Graças a essa disciplina, meu interesse pela dependência química sempre manteve uma perspectiva humanista, que se misturou aos modelos clínico, neurobiológico e farmacológico que são preponderantes nessa área. No entanto, ainda faltava a formação de analista, com o intuito de conferir mais consistência e sentido ao arcabouço médico e mais profundidade ao referencial histórico, integrando todas as essas ciências num só corpo. Indubitavelmente, foi o processo de aquisição de conhecimento mais árduo por que passei até hoje, não apenas pela dificuldade de encarar um tema que até então desconhecia completamente, muito menos pelo volume das leituras e pela complexidade das discussões: a formação de analista junguiano implica em exposição, em confronto com a sombra, um processo que demorei para aceitar e entender. Por fim, desde os tempos da escola primária, ainda na época em que a fotocópia colorida era artigo de luxo e os estudantes tinham como dever de casa copiar mapas com folha seda, colorindo-os depois à lápis, a paixão pela pesquisa iconográfica passou a fazer parte de minha vida intelectual e acadêmica. Em certa altura do ensino médio, tinha alguns arquivos-mortos com figuras que retirava de revistas, manuais antigos e materiais que coletava todo o tempo. Durante a faculdade, colecionei postais e fazia álbuns de fotografia utilizando impressões coloridas de telas e gravuras de grandes artistas plásticos. Nos últimos anos, a internet me abriu um grande campo de pesquisa com as imagens: posso afirmar hoje com certeza que é por meio delas que organizo e dialogo com os textos que produzo. Essa afinidade apaixonada pela iconografia é sem dúvida um dos pontos de contato mais forte que tenho com o campo junguiano. Desse modo, a grande quantidade de figuras nessa monografia representa essa característica que define a mim e ao trabalho clínico e acadêmico que venho fazendo desde os primeiros tempos de minha vida. Desse modo, a presente monografia traz as marcas de vários processos de minha vida: contém em seu amálgama alguns componentes de dureza, rigidez e estado bruto; outros elementos de maleabilidade e fluidez. Espero que sob os auspícios de Hermes Trimegisto sua leitura resulte integrativa.