O passar do tempo

O passar do tempo

Era sábado. Dia muito quente e seco em São Paulo. Muitas coisas para fazer e, ao mesmo tempo, nada divertido.

A mulher madura estava em casa sozinha, curtindo o silêncio e sem muita pressa para fazer nada. O telefone toca. É um torpedo do filho convidando a mãe para tomar um sorvete com ele e o neto, no final da tarde.

Que convite mais gostoso.

No caminho fica sabendo que a outra filha também irá encontrá-los para o tão sonhado sorvete, que além de refrescar irá juntá-los numa mesinha, para um papo descompromissado num sábado preguiçoso.

Caminharam bastante pelo bairro, conversaram, riram e contaram planos.

Chegaram ao parque de diversões e o netinho animou-se a correr e brincar nos diversos aparelhos próprios para a idade dele.

Eram de uma alegria só.

A avó, super-requisitada, esmerou-se para levar o neto em todos os brinquedos que queria. Que delícia!

Aos poucos, lembranças foram tomando conta daquela mulher madura. Olhava para o filho adulto e cioso de seu papel de pai, e olhava o neto com brilhos nos olhos se divertindo naquele parquinho onde tantas vezes  tinha ido com os filhos.

Num relance confundiu os próprios olhos: viu no neto o filho que há pouco também estava ali. O tempo passa muito rápido.

Apesar de ter acompanhado de perto todas as etapas dos filhos, sentiu um hiato entre a criancinha e o adulto que estava ali dividindo com ela os cuidados do pequeno Arthur.

Arthur, nome de rei e postura de comando.   Nos altos de seus dois anos, dominava e mandava, como o rei famoso, seus súditos: papai e vovó.

Uma saudade gostosa tomou conta dela. Parecia até que seu filho também sentia a mesma saudade. Como o tempo passa rápido – pensou novamente.

Hora de ir embora. Nenhum dos três queria sair daquele parque. Já estava escurecendo e uma brisa fria tomava conta da praça. Voltam rindo e conversando.

A mãe deixa o filho e neto em suas casas e volta à rotina daquele sábado: cinema e jantar com amigos.

Em casa, após o banho, dá um largo sorriso e pensa que fez o melhor que pôde. Que delícia amar e ser amada!

E o tempo… “Ah, este passa muito rápido”.